Com Agulhas

Eu gosto de escrever, de inventar uns diálogos loucos em jantares imaginários. Eu gosto de roupas, invento uns modelos e luto pra dar as luzes, partos difíceis esses, idéias. Gosto de comprar roupas e sapatos, futilidades não, estilo próprio; não sou uma fashion victim - a vida é demasiado curta pra rótulos e embalagens estragadas. Eu gosto de café, de canecas e de planos de casamento. Gosto de mim, contudo e com tudo.

Com Canetas

Eu tenho um dois à esquerda na idade, mas não acho que sou tão velha. Chamo minha gata de nenê e dou apelidos adoráveis ao meu namorado. Eu tricoto porque me acalma, produzindo, me agradam as cores das lãs. Eu amo porque não vivo no gris, amor vivo, amo pessoas e filmes e livros e bichos. Eu tenho o Heitor, já me basta de tanto amor. Eu adoro a língua francesa, adoro as idéias parisienses e as boinas e os cafés.

Aujourd'hui

Hoje, faltando nove dias, eu recebi uma carta que demorou pra chegar...

Fui passear no centro, estava com muita fome, e revi o único colega de quem eu realmente gostava na faculdade... Nós nos reconhecemos no meio do redemoinho, mas não paramos... Nos viramos, demos oi e sorrimos. E eu quis parar, contar coisas inúteis, saber dele.

Mas a gente sempre tem outras coisas pra fazer, talvez nunca tão essenciais quanto parar pra fazer - ou refazer - um amigo.

Dobrei uma esquina logo depois de vê-lo, turbilhão, e não pude parar de pensar nas minhas mudanças nesses quase dois anos que não o via. Senti falta da faculdade que eu poderia ter levado mais a sério, senti falta de ter conversado mais com alguns colegas. Mas não me arrependo das escolhas que eu fiz.

Sei que ele passou em um concurso bem difícil, provavelmente está em Pelotas de passagem... Sei que ele é adventista, que tem uma namorada há tanto tempo quanto eu tenho o Heitor, que ele é virginiano e que não queria resolver os problemas da educação. Fomos parte do seleto grupo que não entrou em exame em Sintaxe I (nós e mais três esquecidos), discutimos sobre política e fizemos trabalhos sobre ideologia na sala de aula juntos.

E eu cortei o cabelo, resolvi fazer Moda e estou prestes a fazer um concurso.

Estou em meio ao discurso do Riobaldo, vejo Diadorim através dos seus olhos de jagunço e, sim, viver é algo muito perigoso.

Reencontro uma velha amiga perdida, revejo um amigo que ficou dois anos longe, perco contato com uns pra reatar depois.

Amo (tanto, tanto!) o mesmo homem, tenho as mesmas sardas.

Mas nesses dias de ausência, Clarman, o que mais terá continuado? Talvez tudo o que importa.

Travessia.

5 Moedas no Cofrinho:

  1. Frau Dias disse...
     

    Dias corridos, todos parecidos!

  2. Cris Andersen disse...
     

    Eu não sei o que mais continua o mesmo. Assim como também não sei o que mudou. Não sei mais o que vale a pena e o que não vale, muito menos o que é certo ou errado, quem dirá o que eu quero ou o que eu não quero.

    Sei lá... no fundo eu queria muito conversar, entender umas coisas, esclarecer outras. EM fim...

  3. Moisés Corrêa disse...
     

    Mima, Mima.. Do coração ensebado, essa minina do diabo!

    RERE... Tu sabe q eu te amo, neh?

    Rever as mudanças de dois anos é muito bom. Como estaremos daqui dois anos? Essa é a verdadeira questão.

    Moises

  4. david santos disse...
     

    Excelente trabalho.
    Parabéns.

  5. Victor Albaini disse...
     

    nao li o post... continuo correndo atrás do tempo no teu blog :P

    mas lembro sim... hoje fazem 5 anos, ... ... ...

    nem parece :P

    fazem cinco anos que a nossa amizade passou pelas primeiras transformações... e continua viva até hoje ;)

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