Com Agulhas

Eu gosto de escrever, de inventar uns diálogos loucos em jantares imaginários. Eu gosto de roupas, invento uns modelos e luto pra dar as luzes, partos difíceis esses, idéias. Gosto de comprar roupas e sapatos, futilidades não, estilo próprio; não sou uma fashion victim - a vida é demasiado curta pra rótulos e embalagens estragadas. Eu gosto de café, de canecas e de planos de casamento. Gosto de mim, contudo e com tudo.

Com Canetas

Eu tenho um dois à esquerda na idade, mas não acho que sou tão velha. Chamo minha gata de nenê e dou apelidos adoráveis ao meu namorado. Eu tricoto porque me acalma, produzindo, me agradam as cores das lãs. Eu amo porque não vivo no gris, amor vivo, amo pessoas e filmes e livros e bichos. Eu tenho o Heitor, já me basta de tanto amor. Eu adoro a língua francesa, adoro as idéias parisienses e as boinas e os cafés.

Umas Vontades

Ando com vontade de pessoas, de ficar rodeada de gente e só ouvir as vozes, tantas vozes, se perdendo no vento. Rios de risos e rios de lágrimas, tudo depende do curso dos encontros, mas minha ânsia é por gente que seja diferente de mim e parecida com minhas projeções.

Queria poder viver entre amigos e nunca enjoar, nunca querer dormir e esquecer as coisas, estar sempre no turbilhão... Porque quando a cortina cai, a porta fecha e a luz apaga, aí é que eu tenho de ouvir os meus fantasmas e lidar com as almas penadas da minha consciência; aí é que eu fico sozinha comigo mesma e preciso fazer companhia pras Iarimas de dentro de mim. Não tem sido divertido, pelo menos nos últimos dias.

Ando com vontade de mim, mas só quando eu estou acompanhada pelo outro. Aí eu vejo uma graça que se perde no travesseiro, na toalha e no teclado.

Ando com vontade de Heitor, como sempre, como nunca. Ele me faz tão feliz, sempre, mesmo só nos sonhos e nos pensamentos. Mas quero sentir sua pele, ouvir sua voz e ver seus olhos.

Ando com vontade de lápis e papel amarelo.

Ando com vontade de lã e agulhas.

Ando com vontade de inverno.

5 Moedas no Cofrinho:

  1. INGRID SCHERDIEN disse...
     

    Tem um livro chamado Histórias de mulheres, da autora Rosa Monteiro. Ela conta breves biografias de muitas mulheres famosas.
    O interessante, é que a maioria daquelas mulheres não eram "normais", e sim até extremamente conflituosas.
    Uma história me chamou muita atenção. A de uma antropóloga que ou falava muito ou estava sempre com alguém que falava.
    Ela precisava disso, pois o silência a faria ouvir o próprio interior.
    Aquelas vozes agudas e lancinantes que nos sacodem e perturbam.
    Interessante ter encontrado essa mesma descrição em seu texto agora.
    Interessante sentir isso dentro de mim também.

    *outra coisa, quando eu coloco teu site na lista de blogs, ele linka sozinho teu fotolog não existente. :~ o que fazer????

    Bjos guria.

  2. Conde Vlad Drakuléa disse...
     

    Que todas as tuas vontades sejam feitas!!! Realmente as nossas vozes internas são de amargar, e nossa consciência é a pior delas... Mas ela já não me preocupa mais, pois todas as noites antes de dormir, eu abro meu cérebro, retiro ela do meu subconsciente com todo cuidado, a guardo dentro de uma caixinha de marfim azul-marinho e só volto a recolocá-la em seu lugar na manhã seguinte... Dormir sem consciência é a melhor coisa que há!

    Beijos do conde e... huáhuáheduehduehdue, ô dó, esse fotolog fantasma voltou de novo, força Iari, não desanima não!!! (Lendo o final do comentário da Ingrid...)

  3. Cris Andersen disse...
     

    'ado aado, cada no seu enrugado'. Muito mais moderno.

    Mas por mensagem eu jamais diria tudo o que eu quero dizer. Queria poder te ver mais vezes, sair mais vezes, falar mais vezes, escutar mais vezes. Não sinto reciprocidade.

  4. Cris Andersen disse...
     

    ah é... nem inventa blog novo!!

  5. Moisés Corrêa disse...
     

    Sabe sabe?
    Eu gosto das vozes, sempre gostei. Mas tambem gosto das vozes externas. Sempre gostei...

    Sei lah. O negocio eh entender que determinadas horas o "eu" eh quem nos devemos aturar por um tempo...

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