Eu gosto de escrever, de inventar uns diálogos loucos em jantares imaginários.
Eu gosto de roupas, invento uns modelos e luto pra dar as luzes, partos difíceis esses, idéias. Gosto de comprar roupas e sapatos, futilidades não, estilo próprio; não sou uma fashion victim - a vida é demasiado curta pra rótulos e embalagens estragadas.
Eu gosto de café, de canecas e de planos de casamento.
Gosto de mim, contudo e com tudo.
Eu tenho um dois à esquerda na idade, mas não acho que sou tão velha. Chamo minha gata de nenê e dou apelidos adoráveis ao meu namorado.
Eu tricoto porque me acalma, produzindo, me agradam as cores das lãs.
Eu amo porque não vivo no gris, amor vivo, amo pessoas e filmes e livros e bichos.
Eu tenho o Heitor, já me basta de tanto amor.
Eu adoro a língua francesa, adoro as idéias parisienses e as boinas e os cafés.
O que fazer, escolho o seguro ou o ousado? As palavras ou as roupas?
Sinceramente tudo me encanta, mas viver de quê?
Ah, ainda tenho dois vestibulares, resultados do ENEM e do ProUni, resultados dos vestibulares (sem falar nos R$ 140,00 que vamos desembolsar nas inscrições) e coisas pra passar nesses meses que me separam de saber se eu passei.
Vou deixar pra ficar louca quando precisar.
Por enquanto, plurkeio e espero ganhar karma :)
Ah, e também conto os dias pra chegada do meu digníssimo (faltam dezessete dias agora)...
Hoje eu pensei sobre como a minha vida mudou nos últimos oito anos.
Bem, qualquer vida muda em oito anos... E não passei por coisas tão dramáticas, elas só interessam a mim.
Mas eu amei muito durante esses oito anos. Criei amizades, perdi amizades, reconquistei pessoas e as bani.
Tive três namorados oficiais – um péssimo, um regular e o perfeito, o qual é meu namorado ainda - , um primeiro relacionamento sem denominações e sem muitas conseqüências (jura...), uma ficada de quinze dias que me reduziu a pedaços e um “caso” de um mês que me preparou para a perfeição que viria a seguir (isso não está em ordem cronológica, que fique bem claro).
Li muitos livros, quis fazer faculdade de História, depois resolvi tentar Filosofia, desisti dela e iniciei Letras, não fui bem sucedida e agora quero ir pra Moda. Melhorei o inglês, adquiri um certo domínio no Espanhol e me atrevi ao Francês.
Fui aluna perfeita, aluna mais ou menos, aluna matadora de aulas e depois voltei ao esforço.
Briguei com minha mãe, perdi minha avó, perdi meu avô, apoiei minha mãe, me apaixonei pela minha irmã e perdi meu tio mais querido.
Ganhei a gata Preta, perdi três gatinhas – duas para a gravidade e uma para a máquina de lavar roupas.
Usei preto e fui preconceituosa, me abri às cores e às coisas novas – tudo culpa do Heitor.
Aprendi a tecer e a tricotar, a fazer moldes e alinhaves.
Sei lá mais o que fiz, refiz ou desfiz.
Só sei que, clichês à parte, Non, rien de rien Non, je ne regrette rien...
Há duas semanas a campainha fez ding, depois fez dong. Então, depois das suas reclamações, uma caixa foi entregue nas mãos da mulher que ficou grávida três vezes e trouxe ao mundo a minha irmã, depois a mim, e depois o meu irmão. Dentro da caixa, novos travesseiros à família.
Mas eles não são apenas travesseiros, apesar de servirem para o descanso de nossas cabeças. Eles são símbolos da vida nova a vir. A primeira coisa nova para o apartamento novo, para a família nova. Família de três, uma mãe e dois filhos. A pessoa que seria o pai será deixada para trás, definitivamente.Ele não ganha um travesseiro, ele não ganha nada. Nem as minhas palavras, o cortei há meses.
Entretanto há dois travesseiros sobressalentes. Não, não são sobressalentes, eles já têm donos: minha irmã mais velha, quando ela vier visitar, e meu amado namorado, quando ele passar a noite em casa. Essa é minha família, além dos amigos próximos e da família do namorado querido. Afinal, eu não estou sozinha no mundo.
Durmo no meu travesseiro novo agora, acabei por acostumar-me ao seu cheiro de novo e à sua falta de lembranças. Ele é perfeito pra vida nova, e receberá suas lágrimas quando o tempo chegar... Ele faz minha cabeça descansar, me leva ao sono e às manhãs. Ele vê minha gata encher a cama de pêlos e conforta a minha raposa de pelúcia durante as tardes. Ele serve de apoio às minhas costas enquanto tricoto o blusão azul.
Mal posso esperar pra deixar para trás esse apartamento. As lembranças boas de camas quebradas durante RPG, de conversas com amigos queridos, de tardes com o Heitor e de noites ante as luzes da cidade ficarão comigo, mas o carma de traições e tristeza ficará longe.
Quero sentir o cheiro repugnante de tinta sobre as paredes, quero passar pelo stress da mudança, quero readaptar minhas gatas e quero receber meus amigos, velhos e novos, num lugar bem menor e bem menos cheio de histórias, mas muito mais feliz.
Não tenho muito a dizer, além desse pequeno fato: Eu gosto da Aline, eu gosto do Renato e eu gosto da Scheila. Eles me fazem sentir bem, confortável e tudo mais. Fico feliz por construir amizades novas...
Beijos pra eles.
Era isso, espero encontrar com eles muitas vezes ainda.
Hoje faltam duas semanas mais dez dias pra que as coisas se encaixem e o universo pare de flutuar ao meu redor.
Hoje os carboidratos voltam a ser restritos, os doces banidos e a ansiedade a ser vivida em cima de uma bicicleta ergométrica e de uma fitball.
Hoje eu continuo a tricotar as mangas do blusão do Heitor, e, quem diria, elas são o mais difícil até agora...
Hoje eu continuo a estudar matemática, física e química pra que, um dia, eu possa me tornar uma estilista – ou, ao menos, possa trabalhar com Moda.
Hoje eu volto a usar exfoliantes, hidratantes noturnos e diurnos, um esmalte diferente a cada semana, banhos de creme semanais nos cabelos, gel redutor na bóia que envolve a minha cintura e no excesso de coxas que me incomoda.
Hoje eu volto a cuidar de mim, porque é assim que eu gosto.