O dia do "Quase"
Hoje teve confusão. Empurra-empurra, spray de pimenta no nariz da Marília, calor e o magnífico (ui) reitor sendo protegido – garanto que ele gostou do contato e do calor humano dos brutamontes policiais, o Johnson dele deve ter ficado feliz – pra assumir um cargo ao qual seu direito é bem questionável.
Aqui na frente do prédio, porque aquele maricón é meu vizinho, polícia federal chegando e buzinas, eu quase saí na rua pra protestar – por que, não me perguntem, eu nem estudo na UFPel e nem sei de nada - , mas foi nesse momento que o laptop do reitor chegou ao meu apartamento. Muito pequeno, tecnológico, prateadamente imponente. No meio da confusão, a autoridade máxima da universidade entregou o computador ao zelador, que colocou no elevador, no qual estava a minha mãe com o pão, mamãe atordoada essa que tomou nos braços o computador do venerável gerador de empregos e favorecimento e chegou a casa sem saber o que fazer com tamanha importância.
E eu corri, queria ser antiética, queria roubar informações com o meu charmoso pendrive uruguaio, queria escrever um texto adoravelmente jornalístico, cheio de grandiloqüências e exageros hiperbólicos, mas a mamãe me impediu com um simples argumento: trouxe agulhas novas de tricô e só vou te deixar usá-las se não fuçares nesse computador.
Dividida, angustiada, desamparada... À direita as agulhas, à esquerda o laptop... No entanto, pior dos piores, à minha frente os olhos de desaprovação da minha mãe ante a minha titubeação histórica.
Fui pelo caminho certo, pelo direito, peguei as agulhas e fui tricotar uma estola.
Só depois minha mãe me disse: Por que não escolheste o laptop?
Acho que o tricô falou mais alto... Aff Iarima!!!
Au revoir e desculpem pelos transtornos...
