Com Agulhas

Eu gosto de escrever, de inventar uns diálogos loucos em jantares imaginários. Eu gosto de roupas, invento uns modelos e luto pra dar as luzes, partos difíceis esses, idéias. Gosto de comprar roupas e sapatos, futilidades não, estilo próprio; não sou uma fashion victim - a vida é demasiado curta pra rótulos e embalagens estragadas. Eu gosto de café, de canecas e de planos de casamento. Gosto de mim, contudo e com tudo.

Com Canetas

Eu tenho um dois à esquerda na idade, mas não acho que sou tão velha. Chamo minha gata de nenê e dou apelidos adoráveis ao meu namorado. Eu tricoto porque me acalma, produzindo, me agradam as cores das lãs. Eu amo porque não vivo no gris, amor vivo, amo pessoas e filmes e livros e bichos. Eu tenho o Heitor, já me basta de tanto amor. Eu adoro a língua francesa, adoro as idéias parisienses e as boinas e os cafés.

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O dia do "Quase"

Hoje teve confusão. Empurra-empurra, spray de pimenta no nariz da Marília, calor e o magnífico (ui) reitor sendo protegido – garanto que ele gostou do contato e do calor humano dos brutamontes policiais, o Johnson dele deve ter ficado feliz – pra assumir um cargo ao qual seu direito é bem questionável.

Aqui na frente do prédio, porque aquele maricón é meu vizinho, polícia federal chegando e buzinas, eu quase saí na rua pra protestar – por que, não me perguntem, eu nem estudo na UFPel e nem sei de nada - , mas foi nesse momento que o laptop do reitor chegou ao meu apartamento. Muito pequeno, tecnológico, prateadamente imponente. No meio da confusão, a autoridade máxima da universidade entregou o computador ao zelador, que colocou no elevador, no qual estava a minha mãe com o pão, mamãe atordoada essa que tomou nos braços o computador do venerável gerador de empregos e favorecimento e chegou a casa sem saber o que fazer com tamanha importância.

E eu corri, queria ser antiética, queria roubar informações com o meu charmoso pendrive uruguaio, queria escrever um texto adoravelmente jornalístico, cheio de grandiloqüências e exageros hiperbólicos, mas a mamãe me impediu com um simples argumento: trouxe agulhas novas de tricô e só vou te deixar usá-las se não fuçares nesse computador.

Dividida, angustiada, desamparada... À direita as agulhas, à esquerda o laptop... No entanto, pior dos piores, à minha frente os olhos de desaprovação da minha mãe ante a minha titubeação histórica.

Fui pelo caminho certo, pelo direito, peguei as agulhas e fui tricotar uma estola.

Só depois minha mãe me disse: Por que não escolheste o laptop?

Acho que o tricô falou mais alto... Aff Iarima!!!

Au revoir e desculpem pelos transtornos...

Uma das Três Meninas

Entre aquelas três meninas, as palavras voavam como hologramas.

No só do silêncio, depois da tarde e do chocolate frio da moça da outra mesa, cada moça fez o que quis. Só sei, em tudo, de uma das meninas.

A moça das polainas, já que precisava lavar os pratos, o fez com muito estilo. Água tão quente, quase a queimou, muita espuma e bolhas de sabão com gosto áspero de detergente, tampas de garrafa navegando ao ritmo das ondas das mãos pálidas, a maior viagem da história do plástico.

Mas nada disso é novo, e ela já tirou as polainas.

Agora é hora de sonhar.

De novo, de novo...


Ele volta pra vida universitária, estamos cansados do vai-vem e tudo mais. Mas as coisas sempre dão certo. Logo isso acaba e já será dia onze de novembro de dois mil e onze.

Antes disso, vem a segunda semana de setembro e ele chega de novo, de preferência com um tablito ^^

Todo mundo já se cansa de saber, mas eu o amo muito. Sinto muitas saudades dele, mas sei que vamos ficar juntos e teremos filhos e labradores.

Adorei o filme “Juno”, um dia falo mais sobre ele aqui... Algo nele que me fascinou foi a trilha sonora, baixamos imediatamente e eu roubei uma musiquinha bem simpática. É meio assim, quase tudo, que eu me sinto com ele. O link pro download está aqui, vão na fé que não tem vírus.


You're a part time lover and a full time friend
The monkey on your back is the latest trend
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

I kiss you on the brain in the shadow of a train
I kiss you all starry eyed, my body's swinging from side to side
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

Here is the church and here is the steeple
We sure are cute for two ugly people
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

The pebbles forgive me, the trees forgive me
So why can't, you forgive me?
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

I will find my niche in your car
With my mp3, DVD, rumple-packed guitar
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

Du du du du du du duda
Du du du du du du duda
Du du du du du du duda du

Up up down down left right left right B A start
Just because we use cheats doesn't mean we're not smart
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

You are always trying to keep it real
I'm in love with how you feel
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

We both have shiny happy fits of rage
You want more fans, I want more stage
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

Don Quixote was a steel driving man
My name is Adam I'm your biggest fan
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

Squinched up your face and did a dance
You shook a little turd out of the bottom of your pants
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

Du du du du du du duda
Du du du du du du duda
Du du du du du du duda du
But you


Agora volto aos posts quase diários, espero que ele volte a comentar e que as semanas passem voando.

Dois de Agosto

Eu só posso dizer o tanto possível sobre o meu aniversário de vinte e um anos. Com certo atraso, fato, mas a preguiça foi vencida por inúmeras investidas e desistências, precisava esperar para ver o todo. E isso só acontece com o distanciamento.

Foi um máximo, me diverti mais do que esperava. Me senti bonita, querida e parte de um grupo. Grupo formado por minha causa, ego leonino... Comemos muito, rimos, dançamos, jogamos vôlei com grupos de balões e jogamos Imagem&Ação. Quis que durasse pra sempre e quis que acabasse logo. Vivi aquele momento a plenos sentidos, sim, antes de jogá-lo nas minhas lembranças.

A Ariadne me fascina com suas risadas de galpão, com sua prontidão pra por a mão na massa – no nosso caso, na carne de hambúrguer - , e sua personalidade absolutamente única. Ela não conhecia algumas pessoas, ninguém muito bem (além de mim), e não teve problemas em se entrosar. Sua presença não poderia ser dispensada, ainda bem que ela veio.

A Cristine traz consigo o recomeço, um sopro de ar novo nas minhas relações meio estagnadas. E o legal é que ela ainda me conhece como poucos, não mudei tanto quanto ela pensa. Só uso cores, cortei a franja e pintei o cabelo. Aqui dentro é a mesma coisa. Quero muito falar com ela, precisamos ter encontros semanais no Café Cult pra pôr em dia nossos fragmentados sonhos de lembranças de todos esses inúteis anos de separação.

O Filipe, meu querido irmãozinho, está crescendo. E é a melhor companhia de todos os dias que eu poderia desejar ter.

O Moisés é uma das maiores influências na minha vida. A alma de qualquer festa.

O Heitor é o umbigo do mundo. O amo mais e mais, sempre em expansão. Nem tenho como precisar tudo, agradecer por tudo. Só posso ser feliz porque ele existe e, com todas as opções de meninas no mundo, ele me escolheu...

A Kali estava chata.

E isso tudo, muffins incendiários, almôndegburgers, brigadeiro desafiador, bolo de leite condensado da Ieda, mimimis foram antes do meu aniversário...

O dia dois foi calmo, tive tempo pra refletir.

Começo um diário, preciso escrever com a caneta. E minha vida vai melhorar muito. Com vocês, não pode piorar...

Obrigada pelo chicote, Cris e Moisés. Obrigada pela lã vermelha, senhor Honorovo. Obrigada pelo casaco mais fashion do mundo, pelo colete mais charmoso e pela legging mais estilosa, Heitor. Obrigada pela camisa mais tchénha e pelos sapatinhos mais “minha cara”, querida sogra. Obrigada pelas botas lindas e confortáveis, “vó” Wanda. Obrigada pela sombrinha adorável e pelo kit de frescurinhas de banho, “vó” Maria.

Obrigada aos meus amigos de Orkut pelos recados, ao Victor – que fez falta aqui, mas precisamos falar e falar – pela homenagem no blog e tudo mais.

Agora tenho vinte e um anos. E cada vez me sinto melhor.