Com Agulhas

Eu gosto de escrever, de inventar uns diálogos loucos em jantares imaginários. Eu gosto de roupas, invento uns modelos e luto pra dar as luzes, partos difíceis esses, idéias. Gosto de comprar roupas e sapatos, futilidades não, estilo próprio; não sou uma fashion victim - a vida é demasiado curta pra rótulos e embalagens estragadas. Eu gosto de café, de canecas e de planos de casamento. Gosto de mim, contudo e com tudo.

Com Canetas

Eu tenho um dois à esquerda na idade, mas não acho que sou tão velha. Chamo minha gata de nenê e dou apelidos adoráveis ao meu namorado. Eu tricoto porque me acalma, produzindo, me agradam as cores das lãs. Eu amo porque não vivo no gris, amor vivo, amo pessoas e filmes e livros e bichos. Eu tenho o Heitor, já me basta de tanto amor. Eu adoro a língua francesa, adoro as idéias parisienses e as boinas e os cafés.

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Dois de Agosto

Eu só posso dizer o tanto possível sobre o meu aniversário de vinte e um anos. Com certo atraso, fato, mas a preguiça foi vencida por inúmeras investidas e desistências, precisava esperar para ver o todo. E isso só acontece com o distanciamento.

Foi um máximo, me diverti mais do que esperava. Me senti bonita, querida e parte de um grupo. Grupo formado por minha causa, ego leonino... Comemos muito, rimos, dançamos, jogamos vôlei com grupos de balões e jogamos Imagem&Ação. Quis que durasse pra sempre e quis que acabasse logo. Vivi aquele momento a plenos sentidos, sim, antes de jogá-lo nas minhas lembranças.

A Ariadne me fascina com suas risadas de galpão, com sua prontidão pra por a mão na massa – no nosso caso, na carne de hambúrguer - , e sua personalidade absolutamente única. Ela não conhecia algumas pessoas, ninguém muito bem (além de mim), e não teve problemas em se entrosar. Sua presença não poderia ser dispensada, ainda bem que ela veio.

A Cristine traz consigo o recomeço, um sopro de ar novo nas minhas relações meio estagnadas. E o legal é que ela ainda me conhece como poucos, não mudei tanto quanto ela pensa. Só uso cores, cortei a franja e pintei o cabelo. Aqui dentro é a mesma coisa. Quero muito falar com ela, precisamos ter encontros semanais no Café Cult pra pôr em dia nossos fragmentados sonhos de lembranças de todos esses inúteis anos de separação.

O Filipe, meu querido irmãozinho, está crescendo. E é a melhor companhia de todos os dias que eu poderia desejar ter.

O Moisés é uma das maiores influências na minha vida. A alma de qualquer festa.

O Heitor é o umbigo do mundo. O amo mais e mais, sempre em expansão. Nem tenho como precisar tudo, agradecer por tudo. Só posso ser feliz porque ele existe e, com todas as opções de meninas no mundo, ele me escolheu...

A Kali estava chata.

E isso tudo, muffins incendiários, almôndegburgers, brigadeiro desafiador, bolo de leite condensado da Ieda, mimimis foram antes do meu aniversário...

O dia dois foi calmo, tive tempo pra refletir.

Começo um diário, preciso escrever com a caneta. E minha vida vai melhorar muito. Com vocês, não pode piorar...

Obrigada pelo chicote, Cris e Moisés. Obrigada pela lã vermelha, senhor Honorovo. Obrigada pelo casaco mais fashion do mundo, pelo colete mais charmoso e pela legging mais estilosa, Heitor. Obrigada pela camisa mais tchénha e pelos sapatinhos mais “minha cara”, querida sogra. Obrigada pelas botas lindas e confortáveis, “vó” Wanda. Obrigada pela sombrinha adorável e pelo kit de frescurinhas de banho, “vó” Maria.

Obrigada aos meus amigos de Orkut pelos recados, ao Victor – que fez falta aqui, mas precisamos falar e falar – pela homenagem no blog e tudo mais.

Agora tenho vinte e um anos. E cada vez me sinto melhor.

La Fille Fiévreuse dans La Cité

Em dias pós febre alta, eu deveria ficar em casa. Tapadinha, reclamando da vida e fungando.

E eu até ia, cheguei a desmarcar com a Aline (mas quero tricotar contigo assim que puderes)... Mas resolvemos sair mesmo assim, o Heitor tinha burocracias pra atender e eu queria pegar meu sobretudo. Esperamos por muito tempo o ônibus, passamos uma meia-hora sendo sacolejados, descemos e fomos aos bancos. Foi um pouquinho chato, mas foi só sair do Banrisul que a alegria voltou, aos poucos. Às vezes se tem problemas, se guarda problemas, se esquece de falar. Mas não temos de falar sobre tudo, esmiuçar os detalhes até a perda da noção do contexto. Foi melhor assim, uns minutos de silêncio antes das risadas de Kung Fu Panda. Antes de assistirmos ao filme, porém, encontramos com a Cris (vou tomar conta dos arranjos para um encontro contigo, querida) e falamos de amenidades. Amenidades são ótimas com alguém de quem se gosta. Espero que a noite de RPG dela, do Moisés e do Pablo tenha sido legal.

Como foi a nossa, assistindo a uma animação e nos irritando com uma criança chorona. O filme é engraçadinho, bem do jeito que eu precisava em um dia convalescente. Depois fomos ao McDonalds porque queríamos os copos das Olimpíadas... O lanche não estava tão ruim (porque não tinha gosto de nada), o problema foram as cebolas. O que eu não faço por amor, hein? Comi o Cheddar McMelt mais acebolado do mundo. 100% carne bovina, dizia a caixinha. Uhm, tudo bem... Mas os copos são legais e feitos pra caber nos bolsos da jaqueta do Heitor.

Na avenida, esperando pelo ônibus certo. Meus pés doíam por causa das botas (lindas e estilosas, mas malvadas) e eu estava regurgitando as porcarias do Ronald McDonald, porém estou melhor. Esqueci da dor de garganta e agora estou a tecer minha manta francesa.

Tomara que o dia da Aline também tenha sido bem legal. E o dia da Cris. E o dia do Moisés. E o dia de tantas gentes legais...