Com Agulhas

Eu gosto de escrever, de inventar uns diálogos loucos em jantares imaginários. Eu gosto de roupas, invento uns modelos e luto pra dar as luzes, partos difíceis esses, idéias. Gosto de comprar roupas e sapatos, futilidades não, estilo próprio; não sou uma fashion victim - a vida é demasiado curta pra rótulos e embalagens estragadas. Eu gosto de café, de canecas e de planos de casamento. Gosto de mim, contudo e com tudo.

Com Canetas

Eu tenho um dois à esquerda na idade, mas não acho que sou tão velha. Chamo minha gata de nenê e dou apelidos adoráveis ao meu namorado. Eu tricoto porque me acalma, produzindo, me agradam as cores das lãs. Eu amo porque não vivo no gris, amor vivo, amo pessoas e filmes e livros e bichos. Eu tenho o Heitor, já me basta de tanto amor. Eu adoro a língua francesa, adoro as idéias parisienses e as boinas e os cafés.

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Trinta de Novembro


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Ainda não sei como dizer essas coisas – se elas não estiverem em uma carta quilométrica ou em um cartão gigante – mas eu quero que tu sejas sempre feliz e possas contar comigo. Com vinte, vinte e cinco, trinta ou cento e dois.

És uma das minhas pessoas favoritas e eu gosto de ti aos montes, estou te devendo um bolo e uma visita... Quem sabe amanhã, pra te levar a carta?

Feliz Aniversário, Victor.



Feira do Livro

   Hoje eu saí de casa às oito da manhã e vi a praça. Uma certa nostalgia se apoderou de mim ao ver os balaios, as bancas, os tapumes brancos que encheram a praça de letras e parágrafos, muitas pessoas que normalmente não passeiam por ali se refestelaram nesses últimos dezessete dias. É estranho ver todo mundo se espremendo na frente da minha casa pra ver livros, chega a ser insólito. Pessoas que não possuem hábitos regulares de leitura, que não costumas passar horas preguiçosas em livrarias andando entre os estandes...
   Mas agora acabou, as livrarias retiram seus livros, os operários desmontam as banquinhas e eu me sento no redondo da frente do Sete de Abril mais uma vez, mas sozinha agora. A Feira sempre me viu acompanhada, me viu com a minha pessoa predileta entre todas - de mãos dadas e vendo os livros queridos que me reconfortam em horas de decisões difíceis, antes de todas as saudades que sempre se seguem às pequenas viagens à rodoviária... - , me viu com o meu melhor amigo, com amigas novas que são muito queridas... Revi amigos velhos de bebedeiras vespertinas (ok, o único amigo velho de bebedeiras vespertinas), gente do CEFET, o Mr. Mime e a Roberta... Agora as coisas voltam ao comum, mas nem tão comum.
   A Feira se vai, mas a Praça continua. Eu ganhei livros e comprei presentes lá, ganhei e dei beijos e abraços.
   Ainda verei a Aline e a Scheila, falarei muito com o Moisés e o Heitor é o constante deleite da minha vidinha de tricoteira desocupada (calor não permite o tricô). Porém a melancolia pós-Feira é inevitável ao ver seus resquícios sendo apagados dia após dia toda vez que saio do apartamento, ao comprar pão ou ir ao correio, ao ir à casa do Moisés ou ao Café.com.
   Acho que vou precisar de caminhos alternativos.

Dois Dias

Não tenho postado muito ultimamente, mas tudo bem. As coisas que valem a pena acontecem longe daqui, desse teclado preto (a não ser as conversas com o Heitor, mas nesse caso as alternativas são levemente inexistentes).

O que me faz ter vontades saudáveis vira lembrança pra depois no café.com, no café Cult sem cardápios, na casa do Moisés, na sala do apartamento, no ônibus pro campus e na rua. E agora, como todos os habitantes de Pelotas podem constatar, a época das insanidades retorna, Feira do Livro se constrói na frente da minha casa, e a alegria de vê-las, queridas brochuras, dispostas entre as árvores como em uma feira de frutas, me faz sentir quase parte de um mundo. No fim, os livros são caros e eu acabo sem nenhum, mas as memórias de Feira do Livro são abundantes, sempre acabo vendo pessoas queridas entre os jacarandás... E essa será especial, meu namorado passeará comigo entre os balaios, me acompanhará em cafés e tardes sob as árvores... Desde dois mil e cinco não passeamos juntos em uma Feira do Livro, então estou ansiosa.

Outra particularidade será meio amarga: estar na Feira com meu melhor amigo antes de sua partida aos EUA. Ele também não vagueia entre os livros em uma praça desde dois mil e cinco, e eu não sei quando poderá passar por isso novamente.

Uma deleitosa novidade será ter a companhia da Aline e vê-la com os olhinhos apaixonados pelos livros da Sra. Woolf no estande da Vanguarda...

Um reencontro será andar com a Cristine, não tenho nem palavras para descrever a antecipação carinhosa com que antevejo esse dia...

Espero poder ver a Tanize e a Ariadne também, afinal uma das sexta-feiras mais loucas da minha vida foi passada com elas, nos balanços.

Cansei de escrever. Vou pintar as unhas que depois de amanhã o Heitor chega (preciso dar um jeito de estar apresentável).

Hoje, no Café...

Não tenho muito a dizer, além desse pequeno fato: Eu gosto da Aline, eu gosto do Renato e eu gosto da Scheila. Eles me fazem sentir bem, confortável e tudo mais. Fico feliz por construir amizades novas...

Beijos pra eles.

Era isso, espero encontrar com eles muitas vezes ainda.

:)

Carta ao Soft (Lucas) X

Pelotas, 18 de setembro de 2008

Querido Soft,

Antes de qualquer coisa, preciso dizer que gosto muito de ti. Principalmente porque tu és absolutamente despretensioso, não forças ser algo diferente de quem és. Tu és espontâneo, falas a verdade e isso te torna alguém raro.

Depois de muitas conversas, depois de ouvires os ecos “Heitor! Heitor!” na tua cabeça durante noites e noites, depois de seres a única pessoa a quem eu falei muitas coisas importantes durante os anos de CEFET, sou feliz por continuarmos amigos. Porque podes, sim, ser amigo de mulheres.

Estar junto contigo é importante, espero poder te ver mais vezes. A gente sempre tem assunto, a gente ri de bobagens e concorda sobre a existência de ETs no Antigo Testamento e seu papel nos seres humanos que somos hoje. Não sei se temos muitas afinidades, mas li em um depoimento por aí que o que importa é se gostar, querer estar perto e torcer um pelo outro.

Quero o melhor pra ti, e sei que vais conseguir. Podes ter pretensões modestas, mas eu estarei ao teu lado conforme as conquistares e, se resolveres sonhar mais alto, vou estar por perto pra te ajudar no que puder, pra falar bobagens ou só pra te ver comer lanches de calabresa “de verdade” – eu não gosto muito de calabresa.

Meu verão vai ser menos solitário, tenho certeza. Entre amigos novos, amigos reencontrados e habilidades manuais, sei que estarás aqui.

Me aceitas como sou, e isso não é tão comum assim... Eu também gosto de ti como tu és, por isso nos damos tão bem. Sem máscaras...

Sou grata e feliz por sermos amigos, por isso a Automação Industrial não foi uma absoluta perda de tempo pra ti.

Com carinho,

Iarima