Umas Vontades
Ando com vontade de pessoas, de ficar rodeada de gente e só ouvir as vozes, tantas vozes, se perdendo no vento. Rios de risos e rios de lágrimas, tudo depende do curso dos encontros, mas minha ânsia é por gente que seja diferente de mim e parecida com minhas projeções.
Queria poder viver entre amigos e nunca enjoar, nunca querer dormir e esquecer as coisas, estar sempre no turbilhão... Porque quando a cortina cai, a porta fecha e a luz apaga, aí é que eu tenho de ouvir os meus fantasmas e lidar com as almas penadas da minha consciência; aí é que eu fico sozinha comigo mesma e preciso fazer companhia pras Iarimas de dentro de mim. Não tem sido divertido, pelo menos nos últimos dias.
Ando com vontade de mim, mas só quando eu estou acompanhada pelo outro. Aí eu vejo uma graça que se perde no travesseiro, na toalha e no teclado.
Ando com vontade de Heitor, como sempre, como nunca. Ele me faz tão feliz, sempre, mesmo só nos sonhos e nos pensamentos. Mas quero sentir sua pele, ouvir sua voz e ver seus olhos.
Ando com vontade de lápis e papel amarelo.
Ando com vontade de lã e agulhas.
Ando com vontade de inverno.
