Eu gosto de escrever, de inventar uns diálogos loucos em jantares imaginários.
Eu gosto de roupas, invento uns modelos e luto pra dar as luzes, partos difíceis esses, idéias. Gosto de comprar roupas e sapatos, futilidades não, estilo próprio; não sou uma fashion victim - a vida é demasiado curta pra rótulos e embalagens estragadas.
Eu gosto de café, de canecas e de planos de casamento.
Gosto de mim, contudo e com tudo.
Eu tenho um dois à esquerda na idade, mas não acho que sou tão velha. Chamo minha gata de nenê e dou apelidos adoráveis ao meu namorado.
Eu tricoto porque me acalma, produzindo, me agradam as cores das lãs.
Eu amo porque não vivo no gris, amor vivo, amo pessoas e filmes e livros e bichos.
Eu tenho o Heitor, já me basta de tanto amor.
Eu adoro a língua francesa, adoro as idéias parisienses e as boinas e os cafés.
Que grande inutilidade, escrever uma carta pra ti. Nunca a lerás, sequer conheces a minha existência, mas escrevo mesmo assim. Escrevo porque escrever é uma sombra no deserto, porque me cansa a aridez do cotidiano e gosto das palavras, miragens de água no seco do mundo. Pra ti, bem... Talvez não. Mas não poderia saber, afinal não te conheço.
Só que eu sei de como te valorizo, revitalizei meus amores por uma paixão antiga contigo. Não só contigo, mas tu és constante. Enquanto uns se vendem ao sucesso, tu voltas da Mina de Ouro pra cá, pra mostrar o teu orgulho de nós (aqui mudo os pronomes, não falo só por mim), o teu azul. Também outros vieram, e deles também gosto, deles me orgulho e por eles torço... Mas contigo é diferente. Teu senso de liderança me comove, tua vontade de vencer, teu carinho e tua identificação conosco são capitais pra que eu sempre me alegre quando apareces e me entristeça quando partes.
Sabemos que não és mais um rapaz, precisas de descanso e paz. Mas terás de nos aturar durante mais um ano. Traz pra gente uns presentes ano que vem, querido Tcheco, mas esse ano ainda não acabou. E eu ainda conto com um gol de falta no domingo.
Obrigada, Tcheco bonito, por teres voltado pra nós.
Antes de qualquer coisa, preciso dizer que gosto muito de ti. Principalmente porque tu és absolutamente despretensioso, não forças ser algo diferente de quem és. Tu és espontâneo, falas a verdade e isso te torna alguém raro.
Depois de muitas conversas, depois de ouvires os ecos “Heitor! Heitor!” na tua cabeça durante noites e noites, depois de seres a única pessoa a quem eu falei muitas coisas importantes durante os anos de CEFET, sou feliz por continuarmos amigos. Porque podes, sim, ser amigo de mulheres.
Estar junto contigo é importante, espero poder te ver mais vezes. A gente sempre tem assunto, a gente ri de bobagens e concorda sobre a existência de ETs no Antigo Testamento e seu papel nos seres humanos que somos hoje. Não sei se temos muitas afinidades, mas li em um depoimento por aí que o que importa é se gostar, querer estar perto e torcer um pelo outro.
Quero o melhor pra ti, e sei que vais conseguir. Podes ter pretensões modestas, mas eu estarei ao teu lado conforme as conquistares e, se resolveres sonhar mais alto, vou estar por perto pra te ajudar no que puder, pra falar bobagens ou só pra te ver comer lanches de calabresa “de verdade” – eu não gosto muito de calabresa.
Meu verão vai ser menos solitário, tenho certeza. Entre amigos novos, amigos reencontrados e habilidades manuais, sei que estarás aqui.
Me aceitas como sou, e isso não é tão comum assim... Eu também gosto de ti como tu és, por isso nos damos tão bem. Sem máscaras...
Sou grata e feliz por sermos amigos, por isso a Automação Industrial não foi uma absoluta perda de tempo pra ti.
Querido amigo, por que complicar tanto? Logo em um dia cheio de projetos, todos perto de suas conclusões alegres, tu resolves incomodar.
Preciso de ti, sabes muito bem. És um de meus orgulhos, a perspectiva de uma mudança em ti faz aflorar minhas futilidades estéticas - sub-repticiamente - e, apavorada, te escondo. Sem ti, não respiro (tudo bem, até respiro, mas deixa-me ser dramática em prol da beleza poética)...
Sempre estás comigo, às vezes nem tão silencioso, mas me ajudas a viver. Parte de mim, assim, colado. Sempre que te noto, sempre, é porque tens algum problema... Algum achaque, lidas com algum espinho, com algumas lágrimas. E eu não me importo, claro...
Mas logo hoje! Enquanto escrevo, desenho, tricoto, teço, costuro. Logo hoje resolves ficar doente, logo nas horas decisivas, logo no último ponto, última frase, último traço... Bem na hora de enfiar a lã na agulha, resolves reclmar atenção. E tenho que te dá-la, claro, ou deixas tudo o que faço repulsivo aos meus olhos.
Por que não aprendes, querido nariz, a espirrar em horas mais próprias? Sim, porque ranho em cima da lã e do papel é bem nojento...
Hoje eu decidi pôr um fim nessa nossa relação. Mas, preciso deixar claro, não há nada errado contigo. Eu só preciso de mudanças periódicas, sabe? Como naquele besteirolzinho “Doce Novembro”, não posso passar muito tempo assim fiel.
Antes que penses mal de mim, devo me explicar... Tu andas meio vazio, sabe? Quando nos conhecemos, transbordavas conteúdo... As coisas mudaram. Tivemos dias felizes, me senti realmente bonita, como se brilhasse. Não me fizeste nenhum mal, claro, só que os bens desse relacionamento não foram tão significativos quanto tu me deste a entender. Sim, não adianta negar, tu prometeste grandes melhoras e vida nova. Disseste como eu me sentiria melhor contigo ao meu lado. E eu acreditei em ti, mas fiquei um pouco desapontada.
É difícil introduzir alguém novo na minha vida, certamente. Mas não vou te enganar, já encontrei um substituto. Procurei bem, sou muito exigente com novidades, mas não te traí. Nunca faria algo assim, enquanto estivemos juntos fui plenamente fiel a ti. Muitos movimentos íntimos nós dois tivemos, e tu conheces a minha família bem. Só que tu sabes como eu sou, nada pode durar tanto. Eu me amo acima de tudo, e preciso pensar no meu bem-estar. Sabes como a aparência conta pra mim, e tu és de suma importância na forma como me apresento. Se resolves mentir, saio desabalada e esqueço de coisas básicas. Mas se falas a verdade, querido, nunca é por tanto tempo quanto eu desejaria. Nunca prometi fidelidade até a morte, jamais faria isso...
Mas houve um tempo de fidelidade exacerbada. Sim! Sempre com o mesmo, dia após dia. Não percebia como essa devoção doentia me fazia mal! Andava opaca, sem vida. Não era lembrada, era meio murcha... Nada viçosa, entendes? Anos e anos assim, deixada pra trás pelas minhas amigas. Mas elas não contavam os segredos para um relacionamento tão saudável... Eu também não pedia, tinha vergonha...
Até que eu acabei com aquele reinado monótono, e ganhei vida nova! Desde então, tenho procurado pelo companheiro ideal... Encontrei ótimos, sim, mas nenhum foi perfeito. Nem tu, obviamente. Sabes, tenho acreditado que não existe uma alma-gêmea. Eu preciso experimentar várias coisas diferentes, pra descobrir o que me faz bem. O que me faz bonita, confiante... E, a partir daí, poderei fazer escolhas mais sensatas e , talvez então, encontrar um parceiro para uma relação mais duradoura. Entretanto, duvido que exista, mesmo, tal perfeição.
Quero que saibas, querido, que não posso te prometer que nos reencontraremos. Mas não tirarei tuas esperanças. Quem sabe um dia? Tivemos bons momentos, repito. E todo o calor da minha vida não permite alguém tão... sensível como tu. Deverias me proteger! No entanto entendo que não o faças... Só que vou precisar te dar adeus, por favor entende o meu lado. Não somos certos um pro outro.
E, só pra constar, minhas relações de fidelidade existem. Veja-se o meu lindo namorado (quase quatro anos juntos!), e alguns amigos (Moisés, quase 6 anos, a Cris também, apesar dos nossos ‘ons’ e ‘offs’), só preciso saber que a coisa é certa pra poder me entregar de verdade. E não é contigo, Seda Brilho Gloss, que vou me amarrar. Afinal, no que concerne os shampoos, eu posso ter opiniões bem oscilantes.
Tchau, tchau... Vou tampar o lixo agora. Boa viagem!